O hemograma é um dos exames de sangue mais solicitados na medicina. Ele ajuda a avaliar diferentes funções do organismo e pode indicar alterações relacionadas à anemia, imunidade, coagulação e até doenças hematológicas, como leucemias.
Apesar de ser um exame comum, sua interpretação deve sempre considerar o contexto clínico do paciente.
Como o hemograma é dividido?
O hemograma possui três grandes partes:
- série vermelha
- série branca
- plaquetas
Cada uma delas avalia células diferentes do sangue e fornece informações importantes sobre o funcionamento do organismo.
Série vermelha: anemia e oxigenação
A série vermelha avalia principalmente hemoglobina e hematócrito, responsáveis pelo transporte de oxigênio no sangue.
Quando esses valores estão baixos, pode haver anemia. Sintomas como cansaço, fraqueza, tontura e falta de ar podem aparecer dependendo da intensidade da alteração.
No exemplo apresentado pelo hematologista Dr. Vitor Ricci, o paciente apresentava hemoglobina em torno de 6,7 e hematócrito de 21, caracterizando uma anemia grave.
Série branca: leucócitos e imunidade
A série branca avalia os leucócitos, células responsáveis pela defesa do organismo.
Leucócitos aumentados podem acontecer em infecções, inflamações e também em doenças hematológicas. Já leucócitos baixos podem aumentar o risco de infecções.
No caso apresentado no vídeo, o paciente tinha 123 mil leucócitos, um valor extremamente elevado, associado à presença de 75% de blastos.
O que são blastos?
Blastos são células muito imaturas da medula óssea. Em pessoas saudáveis, normalmente não aparecem em grande quantidade no sangue.
Quando estão elevados, principalmente junto de leucocitose importante, podem levantar suspeita para leucemias agudas e outras doenças hematológicas.
A presença de blastos não confirma o diagnóstico sozinha, mas exige investigação rápida com hematologista.
Plaquetas e risco de sangramento
As plaquetas são responsáveis pela coagulação do sangue.
Quando estão baixas, situação chamada de plaquetopenia, aumenta o risco de sangramentos, manchas roxas e sangramentos gengivais ou nasais.
No exemplo do vídeo, o paciente apresentava apenas 20 mil plaquetas, um número bastante reduzido.
Hemograma alterado significa câncer? Nem sempre.
Muitas alterações podem acontecer por infecções, deficiência de vitaminas, inflamações e outras situações benignas. Porém, alterações importantes e persistentes precisam de investigação médica.
Por isso, interpretar o exame sozinho pode levar a conclusões erradas.
O hemograma é uma ferramenta importante para avaliar a saúde do sangue e identificar alterações no organismo. Mas nenhum resultado deve ser analisado isoladamente.
A interpretação correta depende da avaliação clínica e, em casos mais complexos, do acompanhamento com hematologista.