Quando se fala em tumor cerebral, a dor de cabeça costuma ser um dos primeiros sintomas lembrados. Mas ela não é o único sinal possível e, em alguns casos, pode nem estar presente no início.

Alterações na visão, dificuldade para falar, perda de força, mudanças de comportamento, problemas de equilíbrio e até uma primeira convulsão na vida adulta podem fazer parte do quadro.

Isso acontece porque o cérebro controla diferentes funções do organismo. Assim, os sintomas de um tumor cerebral podem variar de acordo com a região afetada, o tamanho e o comportamento da lesão.

Conhecer esses sinais não significa tentar identificar a doença sozinho. Muitos deles também podem ocorrer em condições muito mais comuns. Quando são novos, persistentes ou progressivos, porém, precisam ser avaliados.

Quais são os sintomas de um tumor cerebral?

Os sinais variam bastante entre os pacientes. Entre as possíveis manifestações estão:

  • dor de cabeça nova ou que muda de padrão e piora progressivamente;
  • náuseas ou vômitos sem uma causa evidente;
  • alterações na visão;
  • dificuldade para falar ou compreender palavras;
  • fraqueza ou perda de sensibilidade em uma parte do corpo;
  • dificuldade de equilíbrio ou coordenação;
  • alterações de memória ou concentração;
  • mudanças importantes de comportamento ou personalidade;
  • convulsões, especialmente quando surgem pela primeira vez na vida adulta.

A presença de um desses sintomas não significa necessariamente que existe um tumor cerebral. O contexto, a evolução dos sintomas e a avaliação médica são fundamentais para determinar quando uma investigação é necessária.

Toda dor de cabeça pode ser sinal de tumor cerebral?

Não.

A dor de cabeça é extremamente comum e, na maioria das vezes, está relacionada a condições que não envolvem um tumor cerebral.

O que pode chamar a atenção é uma cefaleia nova ou diferente do padrão habitual, especialmente quando se torna progressivamente mais frequente ou intensa ou quando aparece acompanhada de outros sintomas neurológicos.

Por isso, não é apenas a presença da dor que importa. Mudanças em seu comportamento e outros sinais associados também precisam ser considerados.

Por que os sintomas do tumor cerebral são tão diferentes?

O cérebro possui áreas responsáveis por funções específicas, como movimento, linguagem, visão, memória, comportamento e sensibilidade.

Por isso, a localização do tumor influencia diretamente os sintomas.

Uma lesão próxima às regiões responsáveis pelo movimento, por exemplo, pode provocar perda de força. Quando áreas relacionadas à linguagem são comprometidas, podem surgir dificuldades para falar ou compreender palavras.

Tumores localizados em outras regiões podem inicialmente provocar sintomas mais discretos ou até crescer durante algum tempo antes de causar manifestações perceptíveis.

Além da localização, o tamanho da lesão, a velocidade de crescimento e possíveis alterações na pressão dentro do crânio também influenciam o quadro clínico.

Convulsão em um adulto pode ser sinal de tumor cerebral?

Uma primeira convulsão na vida adulta é um sinal que merece investigação médica.

Existem diversas causas possíveis para uma convulsão e um tumor cerebral é apenas uma delas. Alterações metabólicas, doenças neurológicas, infecções e outras condições também podem desencadear episódios convulsivos.

Quando uma pessoa sem histórico de convulsões apresenta um episódio pela primeira vez, é importante procurar atendimento médico para identificar a causa.

Todo tumor no cérebro começa no próprio cérebro?

Não.

Existem os tumores cerebrais primários, que se originam nas células do cérebro ou em estruturas próximas, e as metástases cerebrais, que acontecem quando células de um câncer originado em outro órgão chegam ao cérebro.

Alguns tipos de câncer apresentam maior possibilidade de desenvolver metástases cerebrais, como determinados tumores de pulmão, mama e melanoma.

Essa diferença é importante porque o diagnóstico e a definição do tratamento dependem da origem e das características específicas da doença.

Como é feito o diagnóstico de um tumor cerebral?

A investigação geralmente começa pela avaliação dos sintomas, do histórico clínico e pelo exame neurológico.

Quando existe indicação, exames de imagem podem ser solicitados. A ressonância magnética é um dos principais exames utilizados para avaliar o cérebro, embora outros métodos também possam ser necessários dependendo da situação.

Quando uma lesão é identificada, pode ser necessária a análise de uma amostra do tumor obtida por biópsia ou durante uma cirurgia.

Atualmente, além da avaliação das células ao microscópio, características moleculares do tumor também podem ser analisadas. Essas informações ajudam a estabelecer um diagnóstico mais preciso e podem influenciar a escolha do tratamento.

Quais são os fatores de risco para tumor cerebral?

Na maioria dos casos, não é possível identificar uma causa específica para o desenvolvimento de um tumor cerebral.

Alguns fatores são reconhecidos por aumentar o risco de determinados tumores, como exposição prévia à radiação ionizante na região da cabeça e algumas síndromes genéticas hereditárias raras.

É importante também esclarecer alguns receios comuns. Até o momento, não existem evidências científicas consistentes de que o uso habitual de celulares ou aparelhos de micro ondas seja uma causa estabelecida de tumores cerebrais.

Como é feito o tratamento?

O tratamento depende de vários fatores, incluindo o tipo de tumor, localização, tamanho, características moleculares e condições clínicas do paciente.

Dependendo do caso, podem ser utilizados:

  • cirurgia;
  • radioterapia;
  • quimioterapia;
  • terapias alvo;
  • outros tratamentos sistêmicos específicos.

Em muitos pacientes, mais de uma modalidade de tratamento pode ser necessária.

A definição da conduta deve ser individualizada e pode envolver diferentes especialistas, como oncologistas, neurocirurgiões, radioterapeutas e profissionais responsáveis pela reabilitação.

É possível recuperar funções afetadas pelo tumor?

Dependendo da região cerebral comprometida e da extensão das alterações, algumas funções podem melhorar após o tratamento e durante a reabilitação.

O cérebro possui capacidade de adaptação conhecida como neuroplasticidade. Por meio dela, determinadas áreas podem reorganizar algumas de suas funções.

Fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e reabilitação neurocognitiva podem fazer parte desse processo.

A recuperação varia entre os pacientes e depende de fatores como localização e extensão da lesão, tratamento realizado, condições clínicas e início da reabilitação.

Quando procurar avaliação médica?

Sintomas neurológicos novos, persistentes ou que pioram progressivamente não devem ser ignorados.

Alterações repentinas, como perda de força em um lado do corpo, dificuldade súbita para falar, perda de consciência ou uma primeira convulsão, precisam de atendimento médico imediato, pois também podem estar relacionadas a outras emergências neurológicas.

Ter algum dos sintomas citados neste artigo não significa ter câncer. A investigação médica é justamente o que permite identificar sua verdadeira causa.

Na Onkológica, informação baseada em evidências faz parte do cuidado e ajuda pacientes e familiares a compreenderem melhor os sinais que merecem atenção.

Estas informações têm caráter educativo e não substituem a avaliação individual realizada por um profissional de saúde.

Dra. Juliana Lorenzoni Althoff
Diretora Técnica Médica
CRM 12765 | RQE 6239